os porcos ignoram quando lhes convém;
quando estupram filhas dos outros
e espancam os que não tem pai(í)s.
pisam em jardins alheios,
e prendem os jardineiros,
mas os porcos não se importam,
afinal não se alimentam de flores,
e veem tudo em preto e branco.
(estão deitados, com a barriga para o alto,
em meio a lama)
e os porcos se protegem em troco de sua liberdade
trocam seu cansaço por uma ilusão frágil
vivem como sombras de sombras
do que seriam se tivessem coragem
(estão ruminando a própria vontade, com os cascos rachados)
e os porcos não sofrem em mais um dia em Janeiro,
vivem a certeza falha do porvir,
sua certeza vem do medo,
instinto primitivo e aguçado.
os porcos mais uma vez sobrevivem,
caudicantes,
trêmulos,
porém respirando,
em um dia em Janeiro.
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